Pedagogia Waldorf

1. O que é Pedagogia Waldorf

A Pedagogia Waldorf foi idealizada pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner, em 1919, na Alemanha, e apontada pela UNESCO como a pedagogia capaz de responder aos desafios educacionais, principalmente nas áreas de grandes diferenças culturais. As escolas Waldorf formam a rede independente de educação que mais cresce no mundo. 

O método pedagógico baseia-se numa visão ampliada e completa do ser humano e do seu desenvolvimento, onde as crianças são consideradas em seus aspectos individuais e nas particularidades da faixa etária a que pertence. Procura-se dar condições para que cada indivíduo descubra e alcance seu potencial, desenvolvendo seus talentos. A formação de pessoas livres, sensíveis e criativas é feita com base nos valores da fraternidade e responsabilidade. A arte, a consciência de grupo, uma alimentação saudável e a relação respeitosa e produtiva com a natureza estão presentes no dia-a-dia da escola. Procura-se desenvolver o “pensar” de forma adequada a cada faixa etária, em sintonia com sentimentos equilibrados e fomentando a força de vontade e a determinação, buscando com isto, formar pessoas com potencial para transformar a sociedade em que vivem. 

A Pedagogia Waldorf, criada em 1919 na Alemanha, está presente no mundo inteiro. Uma das principais características da Pedagogia Waldorf é o seu embasamento na concepção de desenvolvimento do ser humano introduzida por Rudolf Steiner, orientadada a partir de pontos de vista antropológico, pedagógico, curricular e administrativo fundamentados na Antroposofia. Nela o ser humano é apreendido em seu aspecto físico, anímico (psico-emocional)  e espiritual, de acordo com as características de cada um e da sua faixa etária, buscando-se uma perfeita integração do corpo, da alma e do espírito, ou seja, entre o pensar, o sentir e o querer (agir). Saiba mais adquirindo livros da Editora Antroposófica

O ensino teórico é sempre acompanhado pelo prático, com grande enfoque nas atividades corpóreas (ação), artísticas e artesanais, de acordo com a idade dos estudantes; o cultivo das atividades do pensar,  inicia-se com o exercício da imaginação, do conhecimento dos contos, lendas e mitos, até gradativamente atingir-se o desenvolvimento  do pensamento mais abstrato, teórico e  rigorosamente formal, mais ou menos na época de ensino médio. Essa não exigência de atividades que necessitam de um pensar abstrato muito cedo é também um dos grandes diferenciais em relação à outros métodos de ensino. 

Nessa concepção  predomina o exercício e desenvolvimento de habilidades e não do mero acúmulo de informações, cultivando a ciência, a arte e os valores morais e espirituais necessárias ao ser humano.

“Não se deve perguntar o que o ser humano necessita saber e conhecer em relação à ordem social estabelecida, mas sim, que potencial existe no ser humano e o que pode nele se desenvolver. Assim será possível acrescentar sempre forças renovadas, procedentes da geração em desenvolvimento, à ordem social. Dessa maneira, viverá sempre nessa ordem social aquilo que os indivíduos que nela ingressam conseguem realizar. Não se deve fazer desta nova geração aquilo que a ordem social existente deseja fazer. ”
Rudolf Steiner

Uma das grandes diferenças do currículo das Escolas Waldorf , é a sua origem. Ele é matéria viva, atendendo ao desenvolvimento integral (corporal, anímico e espiritual) da criança na sua faixa etária,  e não é organizado a partir de demandas externas. Essa idéia de desenvolvimento tem como fundamento a imagem de ser humano da Antroposofia.

A Antroposofia é uma ciência empírica moderna, ampliada pelo conhecimento da realidade anímico-espiritual, o que nos leva a uma compreensão diferenciada das fases evolutivas da infância e da adolescência, no decorrer das quais se desdobram e se transformam as relações com o mundo e a disposição para o aprender. Portanto, é a visão antroposófica do ser humano em desenvolvimento que embasa o currículo.

Partimos da idéia de que o currículo não apresenta uma concepção reducionista de descrição dos conteúdos que constituem as diferentes disciplinas. A concepção de currículo adotada pela Pedagogia Waldorf apresenta a idéia de que todo o contexto educativo constitui de fato as redes de elaboração e construção de inúmeros conhecimentos, habilidades, competências, saberes e atitudes em que cada professor tem um papel determinante na formação integral de cada criança.    Hoje em dia, fala-se muito de propostas transdisciplinares para as escolas, uma proposta de estabelecimento de correlações entre conteúdos e indivíduos. A visão transdisciplinar de educação, propõe uma formação que coloque o indivíduo no contexto e no mundo, responsabilizando-o enquanto ser social e histórico, educando-o para a cidadania plena e una. A Pedagogia Waldorf,  quer formar indivíduos que, além de cidadãos tornem-se seres humanos em sua plenitude portanto, vai ao encontro da visão transdisciplinar de educação.

É importante ressaltar que, a organização curricular seguida pelas nossas escolas está em perfeita consonância com a legislação do nosso país. O Jardim de Infância Alecrim é reconhecido pela Secretaria Municipal de Educação e a Escola Waldorf Novalis é reconhecida pela Diretoria de Ensino de Piracicaba. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação no Brasil propõe, atualmente, que o currículo das escolas esteja organizado mediante os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Nas Escolas Waldorf o currículo escolar abarca os temas  transversais contidos nos PCNs mas segue uma organização própria, que articula as diversas áreas de conhecimento (as “matérias escolares”), valorizando as especificidades de cada uma e, ao mesmo tempo, estabelecendo interrelações destas áreas em contextos diferenciados e próprios.

2.  Currículo Waldorf

Na Pedagogia Waldorf a divisão é feita em setênios (sete-anos). Em cada setênio, considera-se que a criança aprende de uma maneira diferente. 

No primeiro setênio, o movimento, a brincadeira e a imitação dos adultos, exercem um estímulo fundamental a aspectos que determinarão a capacidade cognitiva e a qualidade de vida do futuro adulto. Desenvolvem-se aí, as sementes para o que vai ser, no futuro, a vontade do adulto. No segundo setênio segue-se o curriculum oficial, enfocando os conteúdos através de imagens e vivências de experimentação real dos fenômenos em laboratório e não só por conceitos abstratos, utilizando-se, para isso, do apoio de atividades verdadeiramente artísticas (pintura em aquarela, mitologia, contos de fadas, modelagem), que se ligam aos sentimentos das crianças e que vão se refletir no sentir do adulto. O terceiro setênio é dedicado ao desenvolvimento real de um pensar claro e profícuo. No futuro os três aspectos, do querer, do sentir e do pensar atuarão de maneira harmônica, em um adulto equilibrado e seguro das suas ações. Os conteúdos acadêmicos necessários para atuação profissional e para os vestibulares são oferecidos, normalmente, durante cada setênio. A maneira como se ministram esses conteúdos é que depende do setênio em que a criança está inserida. Não se adiantam conhecimentos porque se considera que isso não traz nenhuma “vantagem competitiva” para as crianças e porque, adiantando-se conteúdos, pode-se deixar de oferecer vivências importantes, necessárias a cada setênio. Quanto aos aspectos individuais das crianças, consideram-se, profundamente, os temperamentos e as maneiras de ser de cada indivíduo. Nas Escolas Waldorf, os professores acompanham as mesmas crianças por vários anos. Isso permite que o professor adquira um profundo conhecimento da individualidade de cada aluno e permite às crianças, desenvolverem plenamente aquilo que elas são capazes de desenvolver.

3.Movimento da Pedagogia Waldorf no Brasil

Com muito entusiasmo da comunidade Waldorf e com um caloroso acolhimento do público em geral, a Escola Waldorf Rudolf Steiner, pioneira do movimento da Pedagogia Waldorf no Brasil, comemorou, no ano de 2006, o seu cinqüentenário. Fundada em 1956 por imigrantes alemães, esta escola foi o berço das diversas iniciativas antroposóficas em todo o Brasil, dentre as quais citamos a Editora Antroposófica, que teve um papel importante ao publicar as principais obras de Rudolf Steiner em português, colaborando para a divulgação e consolidação da Pedagogia Waldorf no Brasil. Atualmente, a Federação das Escolas Waldorf no Brasil – FEWB, para atender à demanda do movimento Waldorf, também publica obras de cunho pedagógico de R. Steiner e de outros autores e um Periódico que traz informações e artigos importantíssimos a respeito do movimento Waldorf na atualidade.

 “As escolas Waldorf formam, hoje, a rede independente que mais cresce no mundo... A Pedagogia Waldorf, como é conhecida, foi idealizada pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner, em 1919, na Alemanha, e apontada pela UNESCO como sendo a pedagogia capaz de responder aos desafios educacionais, principalmente nas áreas de grandes diferenças culturais...”
Shigueyio Miyazaki Mizoguchi
Ex-Secretária Executiva da Federação das Escolas Waldorf no Brasil

E dados da Federação das Escolas Waldorf do Brasil (FEWB),  (atualizados em outubro de 2010) nos mostram que, já no nosso país existem 32 escolas com Ensino Fundamental totalizando 6.511 alunos, 26 Jardins de Infância e ainda 16 projetos sociais.!!

Fundada em 1998 como resultado da união de 11 escolas, entre elas a EW Rudolf Steiner que, na ocasião, contava com o sr. Jürgen Bartzsch na presidência da mantenedora, a FEWB começou a desempenhar sua missão de congregar todas as iniciativas relacionadas à Pedagogia Waldorf em um grande movimento. Foram anos de muito esforço e de grandes esperanças, pois, simultaneamente ao movimento de fundação de uma Federação das Escolas Waldorf, ocorreu no Brasil a promulgação da nova lei da educação nacional, trazendo novas perspectivas para o próprio movimento Waldorf.

Acreditamos que essa nova lei aprovada em 1996 foi fortemente influenciada pelo Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI, conhecido como Relatório Jacques Delors, que foi organizado com a participação de especialistas de todo o mundo, de diversas linhas pedagógicas. Como deve estar na memória de todos, a contribuição da Pedagogia Waldorf se fez através dos Freunde der Erziehungskunst Rudolf Steiner que apresentou a memorável exposição monitorada, por ocasião da 44 a. Conferência Internacional sobre Educação, em 1994, em Genebra – Suíça que, com o apoio da UNESCO, resultou na publicação de um belíssimo encarte sobre a Pedagogia Waldorf. Esse encarte foi muito utilizado para a apresentação da Pedagogia Waldorf para os interessados em geral, em diferentes ocasiões, pela FEWB. 

Com a flexibilização do sistema educacional brasileiro como um todo e devido às diversidades culturais existentes em nosso país de dimensões continentais, novas experiências pedagógicas foram incentivadas, abrindo-se espaços para que propostas inovadoras pudessem ser apresentadas, como foi o caso da Pedagogia Waldorf. Porém, como nada é para sempre em nosso país, a tranqüilidade das escolas Waldorf foi abalada por uma outra lei nacional, de 2005, que obriga os pais a matricularem seus filhos aos 6 anos de idade no Ensino Fundamental. Este é o assunto do momento e está provocando a mobilização de docentes e professores formadores, aliados aos médicos escolares, para aprofundamento dos conteúdos relacionados a esta problemática. Estamos contando também com a contribuição de instituições Waldorf do exterior que já tiveram experiência semelhante, que nos têm enviado textos que aqui serão estudados. Esta lei começou a vigorar em 2010 e pretendemos promover ações que venham a contribuir, de alguma forma, para a transformação da consciência dos educadores com relação à Educação Infantil.

Está em ascensão a procura pela formação em Pedagogia Waldorf, e o principal Seminário de Formação de Professores Waldorf que funcionava desde 1974 foi oficializado há 9 anos como curso de formação de professores, reconhecido pelo sistema educacional brasileiro, em nível pós-médio. Atualmente está sendo estudada a possibilidade de criação de um curso Superior de formação, e um curso de pós- graduação latu sensu foi realizado em 2006 em uma parceria entre a Escola Livre Porto Cuiabá, a Universidade Estadual de Mato Grosso e a FEWB. Existem ainda 7 localidades espalhadas pelo país onde são oferecidos cursos de Fundamentação em Pedagogia Waldorf, modalidade cursos livres, que também são bastante procurados. Temos a felicidade de também contarmos com os cursos de Formação em Euritmia e em Ginástica Bothmer.

Precisamos considerar que antes de 1998, além das 11 escolas fundadoras, havia outras que já manifestavam desejo de se tornarem escolas Waldorf e trabalhavam nesse sentido. Com a fundação da FEWB, elas receberam apoio através de projetos como o de assistência pedagógica e, em pouco tempo, se posicionaram, utilizando-se da Proposta Educacional Waldorf elaborada por pedagogos Waldorf, perante os órgãos governamentais como uma Escola Waldorf. Elas estão se esforçando para se tornarem escolas antroposóficas na sua essência, dando os passos necessários em direção à Antroposofia. Para auxiliá-las nesse caminho, a FEWB, quando solicitada, oferece o projeto denominado Embasamento Antroposófico na Comunidade Escolar, no formato de palestras acompanhadas de workshops artísticos sobre diversos assuntos de interesse da comunidade escolar em geral. 

As escolas atualmente filiadas à FEWB são: 8 escolas que têm até o Ensino Médio, 18 escolas que têm até o Ensino Fundamental (algumas só até o 5 o. ano) e 27 Jardins de Infância independentes. Os 27 Jardins de Infância independentes estão agrupados em torno das 7 regionais espalhadas pelo território nacional e, através dessas regionais, estão filiados à FEWB. Desenvolve-se nas regionais programas de orientação multidisciplinar para os envolvidos com os jardins de infância, que contam com a participação de um médico escolar, um pedagogo e um profissional da área artística. Existem ainda 6 novas iniciativas que ainda estão sendo observadas e cuidadas como sementeiras das futuras escolas Waldorf.

Além dessas iniciativas que já nos fizeram propostas concretas e com as quais mantemos diálogos constantes, existem outras que nos consultam, quando não fazem apelos, pedindo ajuda para fundar escolas Waldorf. Essas consultas chegam, em média, a uma por semana. Essas inúmeras consultas nos têm tomado muita energia, pois não podemos simplesmente ignorá-las, considerando-se que são feitas na esperança de obter respostas para as reconhecidas dificuldades e carências sociais enfrentadas. Temos encaminhado muitos desses casos para nossa parceira Aliança pela Infância, cuja vocação é lidar especificamente com questões sociais ligadas à infância. Às outras, procuramos indicar caminhos que as façam entrar em contato com os princípios da Pedagogia Waldorf, a fim de tomarem decisões conscientes. Muitas dessas pessoas são egressas de Cursos de Fundamentação em Pedagogia Waldorf, o que nos tem facilitado o acompanhamento através dos Professores formadores. 

Uma reflexão que sempre nos acompanha é que o momento atual de expansão de escolas Waldorf pelo Brasil exige que redobremos nossos esforços e em direção à essência da Pedagogia Waldorf. É uma tarefa hercúlea que deve ser assumida pelos professores Waldorf indistintamente e, principalmente, pelos responsáveis pela formação de futuros professores Waldorf. É com esses professores que devemos contar no futuro. 

Shigueyo Mizoguchi – pela FEWB

Novalis (Educação Infantil e Ensino Fundamental)
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